Tumores ginecológicos

Câncer no útero e nos ovários: sinais que merecem atenção

Entenda os avisos do corpo e por que a investigação precoce faz diferença.

3 min de leitura Dra. Larissa Gomes
Mulher com as mãos sobre o abdômen

O corpo costuma avisar quando algo não vai bem, mas nem sempre paramos para ouvir. Sangramentos fora de hora, um inchaço na barriga que não passa, uma dor pélvica que insiste: sinais assim merecem atenção. Como oncologista, sei que reconhecer esses avisos e procurar avaliação cedo pode fazer toda a diferença no tratamento e na qualidade de vida. Neste texto, quero falar de dois tumores ginecológicos que se comportam de maneiras bem diferentes: o câncer do útero e o câncer de ovário.

Câncer no útero: costuma dar sinais mais cedo

O câncer que se origina no endométrio, o revestimento interno do útero, é um dos mais comuns entre os tumores ginecológicos, e tem uma característica que joga a nosso favor: ele tende a dar sinais mais cedo.

O aviso mais clássico é o sangramento uterino anormal, sobretudo depois da menopausa. Antes da menopausa, vale ficar atenta a menstruações muito intensas, a escapes entre um ciclo e outro, a um corrimento aquoso e a uma dor pélvica que persiste.

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Qualquer sangramento após a menopausa merece avaliação Mesmo que aconteça uma única vez, em pequena quantidade ou sem dor. Investigar é o que permite descobrir a causa e agir no momento certo.

Alguns fatores aumentam o risco, como obesidade, hipertensão, síndrome dos ovários policísticos, uso prolongado de estrogênio sem progesterona, histórico familiar e hábitos que favorecem o desequilíbrio hormonal, como o sedentarismo e a resistência à insulina.

A boa notícia é que, quando identificado cedo, esse tumor costuma ter boas perspectivas de tratamento. Por isso eu insisto: qualquer mudança no seu padrão de sangramento é motivo para procurar o ginecologista sem adiar. Exames como o ultrassom transvaginal e a biópsia do endométrio ajudam a esclarecer o diagnóstico e a orientar a conduta.

Câncer de ovário: o tumor silencioso

O câncer de ovário é uma história diferente. Ele costuma avançar sem dar sinais claros no início, o que explica o apelido de tumor silencioso e reforça a importância de conhecer o próprio corpo.

Entre os sintomas que merecem atenção estão:

  • sensação de inchaço abdominal que não passa
  • dificuldade para se alimentar ou impressão de ficar satisfeita muito rápido
  • dor pélvica
  • alterações urinárias
  • desconforto intestinal contínuo

São queixas que parecem banais isoladamente, mas que, quando persistem, pedem investigação.

O risco tende a ser maior a partir dos 50 anos e em algumas situações específicas, como a presença de mutações genéticas nos genes BRCA1 e BRCA2, o histórico familiar, a primeira menstruação muito cedo, a menopausa tardia e não ter tido filhos.

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Não existe rastreamento eficaz do câncer de ovário para a população em geral Mulheres com alto risco genético podem se beneficiar de acompanhamento diferenciado, de exames específicos e, em casos selecionados, das chamadas cirurgias que reduzem o risco.

Para investigar suspeitas, costumamos usar o ultrassom, exames de sangue como o marcador CA-125 e, quando necessário, tomografia ou ressonância. A confirmação muitas vezes envolve a avaliação cirúrgica, e o tratamento combina cirurgia e quimioterapia conforme o estágio da doença.

O recado que eu deixo para você

Cuidar da saúde ginecológica passa por duas coisas simples: prestar atenção aos sinais do corpo e manter as consultas em dia. Nenhum sintoma isolado significa, por si só, um diagnóstico de câncer, e a maioria das vezes a causa é outra. Mas investigar é o que permite descobrir cedo, e quanto mais cedo, maiores as chances de um tratamento eficaz e de preservar a sua qualidade de vida.

Se você percebeu algum desses sinais, não espere. Procure uma avaliação e converse abertamente com o seu médico sobre o seu histórico e as suas dúvidas.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e a definição do tratamento devem ser feitos por um profissional, de forma individualizada.
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