Câncer de mama

Sinais de alerta do câncer de mama

Conheça os principais sinais, entenda o que costuma ter outra causa e saiba quando procurar avaliação sem adiar.

4 min de leitura Dra. Larissa Gomes
Mulher com a mão sobre o peito, ilustrando a atenção às mudanças nas mamas

O câncer de mama é o tumor mais frequente entre as mulheres no Brasil, e também um dos que mais se beneficiam da descoberta precoce. Nos meus atendimentos, escuto quase sempre a mesma pergunta: como saber se aquilo que eu senti merece atenção? Reuni aqui os sinais que considero mais importantes e o que fazer diante de cada um deles.

Antes de tudo, um esclarecimento que costuma tranquilizar: a maior parte das alterações nas mamas não é câncer. Nódulos benignos, cistos e mudanças ligadas ao ciclo hormonal são bem mais comuns. Mas quem esclarece isso é a avaliação médica, não a suposição. Por isso a orientação é sempre a mesma: percebeu algo diferente, procure.

O nódulo, o sinal mais comum

O achado que mais leva mulheres ao consultório é um caroço na mama ou na axila. Alguns aspectos chamam mais a atenção: um nódulo endurecido, de contorno irregular, que não se move com facilidade sob a pele e que não desaparece depois da menstruação.

Nem todo nódulo com essas características é maligno, e nódulos macios e móveis também merecem avaliação. O que não vale é esperar para ver se some sozinho.

Os sinais que vão além do caroço

O câncer de mama nem sempre se apresenta como um nódulo palpável. Vale procurar avaliação diante de:

  • alteração no formato ou no tamanho de uma das mamas
  • retração da pele ou do mamilo, com a pele parecendo puxada para dentro
  • pele com aspecto de casca de laranja, avermelhada ou espessada
  • ferida no mamilo ou na aréola que não cicatriza
  • saída espontânea de secreção por um único mamilo, principalmente se for sanguinolenta
  • caroço ou inchaço na axila ou próximo à clavícula
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Dor não é o sintoma típico A dor mamária costuma ter outras causas, sobretudo hormonais. A ausência de dor não é motivo para adiar a investigação de um sinal que você percebeu.

Conhecer o próprio corpo não substitui a mamografia

Conhecer as suas mamas e perceber mudanças é valioso, e é assim que muitos diagnósticos começam. Mas isso não ocupa o lugar do rastreamento, porque a mamografia identifica alterações pequenas demais para serem sentidas com a mão, muitas vezes antes de qualquer sintoma.

As sociedades médicas brasileiras, entre elas a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, recomendam a mamografia anual a partir dos 40 anos para mulheres de risco habitual. No SUS, o rastreamento populacional é feito dos 50 aos 74 anos, a cada dois anos, e desde 2025 mulheres de 40 a 49 anos também têm acesso ao exame, em decisão compartilhada com o profissional de saúde.

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Histórico familiar importante ou mutação genética conhecida Nesses casos o acompanhamento precisa ser individualizado, e costuma começar mais cedo. Converse com o seu médico sobre a sua história familiar.

O que pode aumentar o risco

Entre os fatores associados a um risco maior estão a idade, o histórico familiar de câncer de mama ou de ovário, mutações genéticas como as dos genes BRCA1 e BRCA2, a primeira menstruação muito cedo, a menopausa tardia, a ausência de gestações, o uso prolongado de terapia hormonal, o consumo de álcool, o excesso de peso e o sedentarismo.

Ter um ou mais desses fatores não significa que a doença vá acontecer, assim como não tê-los não elimina a possibilidade. Boa parte dos casos ocorre em mulheres sem nenhum histórico familiar da doença. É por isso que o rastreamento é recomendado para a população em geral, e não apenas para quem tem risco elevado.

Quando procurar avaliação

A resposta é direta: assim que você notar qualquer um dos sinais descritos aqui, sem esperar a próxima consulta de rotina. Sinais e sintomas suspeitos pedem avaliação diagnóstica em qualquer idade, mesmo em mulheres jovens e mesmo fora da faixa de rastreamento.

O recado que eu deixo para você

Descobrir cedo amplia as possibilidades de tratamento e ajuda a preservar a sua qualidade de vida. E descobrir cedo depende de duas atitudes que estão ao seu alcance: manter a mamografia em dia conforme a orientação do seu médico e levar a sério o que o seu corpo mostra.

Se você percebeu alguma mudança nas suas mamas, marque uma avaliação. Levar essa dúvida para a consulta é sempre melhor do que carregá-la sozinha.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e a definição do tratamento devem ser feitos por um profissional, de forma individualizada.
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